Praia. Sol. Samba. Carnaval. Alegria. Tudo isto somado a
mais uma vontade de conhecer um lugar diferente é o que leva as pessoas a irem
visitar Salvador, na Bahia. Estes foram os motivos que me levaram a visitá-la,
aliás. Só que, chegando lá, percebe-se que esta imagem que a mídia coloca na
cidade é um pouco exagerada e fora da realidade.
O local, por causa de sua alta taxa de natalidade, tem uma
população muito abundante. Uma das maiores do Nordeste brasileiro, o que faz
com que haja uma diferença aparente onde é a parte mais rica e a parte mais
pobre da cidade. Apesar de já haver a divisão entre “Cidade Alta” e “Cidade
Baixa” (a primeira seria para os mais abastados e a segunda para os menos), a
divisão já não é mais tão fiel.
Antigamente, quando o porto era mais utilizado a população
mais pobre cresceu ao seu redor, já que era lá onde trabalhavam, e os mais
ricos ficaram nas partes mais altas. Porém, agora, parece que alguns pontos da
Cidade Alta, por serem mais antigos, estão sendo esquecidos e estão, portanto,
ficando mais degradados. O que é péssimo para a capital baiana, pois os
turistas não gostam de ver paisagens desagradáveis.
A cidade, também, é muito suja, e é até incrível alguém que
mora em São Paulo estar reparando e reclamando disso, mas esta sujeira fez com
que os pontos históricos ficassem deteriorados e perdessem sua beleza, afinal,
onde há beleza no meio de sujeira? Também, a violência é enorme. Conversando
com uma moça no aeroporto de Salvador ela me disse: “vocês [eu estava com a
minha amiga] foram ao Pelourinho?”; nós: “fomos sim”; e ela respondeu: “perceberam como é perigoso?
Eu fiquei sabendo que nos meses de janeiro e fevereiro eles redobram o
policiamento por causa dos turistas, mas que no resto do ano é tudo um caos”.
Incrível como uma cidade que ganha sua renda em torno do turismo não consiga
proporcionar o mínimo de segurança a ninguém (incluindo os próprios habitantes
da cidade).
Somado à sujeira da cidade, está a das praias de Salvador.
Nunca vi praias tão sujas. Eu fiquei alojada em um condomínio na ilha de
Itaparica, e pude presenciar o que são praias dignas a serem utilizadas por
turistas: limpas e sem muitos vendedores perambulando. O que leva a, mais uma
vez, outra pergunta: como uma cidade que gira em torno do turismo não consegue
ter praias limpas?
Não é de minha intenção criticar a cidade,
porque ela tem sim seus pontos altos, mas é de frisar que ela não é tão
impressionante quanto se crê. Acredito que se medidas de limpeza fossem
proporcionadas, tudo seria bem mais agradável; só que o governo não consegue
agir sozinho em tais medidas, ele precisa que os cidadãos se conscientizem de
que é necessário cuidar da cidade onde moram.