sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O que acontecerá nos próximos capítulos?

Em São Paulo, a lei que proibia a distribuição de sacolas plásticas entrou em vigor no dia do aniversário da cidade, dia 25 de janeiro. No começo, parecia que estava tudo andando bem, os supermercados estavam respeitando as leis, todos pareciam conscientizados de que era necessário que se mudassem os hábitos.
Porém, ao que indica, esta lei não entrará efetivamente em vigor até pelo menos março. Isto porque, segundo dizem as autoridades, as pessoas ainda não se adaptaram; então para que se "adaptem", os supermercados estarão viabilizando sacolas plásticas biodegradáveis (que são aquelas que demoram menos tempo para se decompor) e caixas de papelão.
É ridículo isto, principalmente porque indica que as pessoas não necessitam mudar seus hábitos, porque a prefeitura dará um jeito de elas não os mudarem.
O processo das sacolinhas foi o seguinte: primeiro não havia nenhuma sendo disponibilizada e as pessoas ficavam perdidas tendo que dar um jeito de levar suas compras; pouquíssimos dias depois, houve a disponibilização de sacolas biodegradáveis pagas, ou seja, se as pessoas quisessem levá-las, teriam que pagar alguns centavos por cada uma; tempo depois, houve a ideia de se esperar mais um tempo até a total adaptação dos paulistanos e as sacolas não são mais pagas. A prefeitura crê que apenas com a divulgação dos caixas do supermercado, dizendo que estão disponíveis aquelas eco bags, as pessoas as comprarão, o que não ocorrerá. As pessoas as comprarão quando não tiverem como ir embora do mercado sem elas.
Um outro ponto a ser levantado sobre esta irônica história é que a lei se aplica apenas aos supermercados, ou seja, qualquer outro estabelecimento como farmácias, papelarias, livrarias, ainda disponibilizam suas sacolinhas...
Vamos ver aonde vamos chegar desta forma, porque desse jeito está difícil.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Exército de Faces


Ao completar 18 anos, os jovens brasileiros adquirem diversas liberdades, responsabilidades e deveres gerados pela maioridade graças à Constituição nacional. Para considerável parte da população (o que me inclui), uma dessas obrigações é prestar contas com uma das instituições mais peculiares do Brasil: o exército.

O alistamento obrigatório masculino é um dos motivos de tanta estranheza. A conscrição só deveria ser válida em casos extremos e de exceção, como um conflito armado ou um estado de tensão permanente entre países rivais que necessitasse um número maior de pessoal. Entretanto, o Brasil é uma nação pacífica e não entra em conflitos bélicos (missões de manutenção da paz das Nações Unidas não contam) desde a II Guerra Mundial. Além disso, a maioria absurda dos jovens que opinam nas juntas por não servir é liberada por excesso de contingente, o que torna esse processo apenas uma perda de tempo burocrática.

Outro fator interessante sobre as Forças Armadas é sua incrível popularidade diante da população. Em pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, 66% dos entrevistados relataram que confiam no exército, índice bem maior que o Congresso Nacional e que está levando os militares a criarem seu próprio partido político. O que chama a atenção é que essas mesmas Forças Armadas foram a que deram um golpe de Estado e torturaram o país até sua saída há menos de 30 anos, período ainda recente na memória do povo. Por mais que atualmente elas combatam o tráfico internacional de drogas e principalmente ajudem a segurança urbana, razão principal da grande confiança, é no mínimo curioso ver que a instituição mais popular do país foi a que gerou mais dores para o próprio.

O exército nacional é anormal. Ele consegue a proeza de unir o retrógado ao forçar o alistamento dos jovens homens com a ameaça de revogar direitos e o novo ao ganhar o apoio da população pela incompetência de outros órgãos. Enquanto isso, nós batemos continência para o sargento e juramos uma cega solenidade a bandeira