quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Exército de Faces


Ao completar 18 anos, os jovens brasileiros adquirem diversas liberdades, responsabilidades e deveres gerados pela maioridade graças à Constituição nacional. Para considerável parte da população (o que me inclui), uma dessas obrigações é prestar contas com uma das instituições mais peculiares do Brasil: o exército.

O alistamento obrigatório masculino é um dos motivos de tanta estranheza. A conscrição só deveria ser válida em casos extremos e de exceção, como um conflito armado ou um estado de tensão permanente entre países rivais que necessitasse um número maior de pessoal. Entretanto, o Brasil é uma nação pacífica e não entra em conflitos bélicos (missões de manutenção da paz das Nações Unidas não contam) desde a II Guerra Mundial. Além disso, a maioria absurda dos jovens que opinam nas juntas por não servir é liberada por excesso de contingente, o que torna esse processo apenas uma perda de tempo burocrática.

Outro fator interessante sobre as Forças Armadas é sua incrível popularidade diante da população. Em pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, 66% dos entrevistados relataram que confiam no exército, índice bem maior que o Congresso Nacional e que está levando os militares a criarem seu próprio partido político. O que chama a atenção é que essas mesmas Forças Armadas foram a que deram um golpe de Estado e torturaram o país até sua saída há menos de 30 anos, período ainda recente na memória do povo. Por mais que atualmente elas combatam o tráfico internacional de drogas e principalmente ajudem a segurança urbana, razão principal da grande confiança, é no mínimo curioso ver que a instituição mais popular do país foi a que gerou mais dores para o próprio.

O exército nacional é anormal. Ele consegue a proeza de unir o retrógado ao forçar o alistamento dos jovens homens com a ameaça de revogar direitos e o novo ao ganhar o apoio da população pela incompetência de outros órgãos. Enquanto isso, nós batemos continência para o sargento e juramos uma cega solenidade a bandeira

Nenhum comentário:

Postar um comentário