Uma vez me contaram que é apenas após a morte é que descobrimos como foi de fato a vida de alguém. Com tanta repercussão, comoção e homenagens póstumas, o falecimento de Chico Anysio revela o quão importante foi esse humorista e o quanto ele fará falta para o Brasil.
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho foi muito mais do que um comediante de sucesso. Com rara genialidade, ele era capaz de usar o dom do humor para cativar uma população inteira em volta de suas sátiras e críticas tão vastas quantos seus personagens, cada um com suas respectivas peculiaridades e histórias. O político corrupto, o professor mal remunerado, o jogador de futebol marrento e foram alguns exemplos de seu criacionismo particular que dialogava com cada brasileiro pela humanidade atribuída a cada uma de suas criações, assim como os heterônimos de Fernando Pessoa na poesia. Ele foi um dos maiores brasileiro que esse país já viu, e que provavelmente jamais verá outra igual.
Alguns menosprezam Chico Anysio pela vida de humorista que ele tinha. Ignorantes,eu responderia a eles. É necessário muito trabalho duro e brilhantismo para seguir uma profissão tão nobre e delicada quanto a de um humorista, pois fazer um povo inteiro rir em meio a uma realidade tão difícil e, muitas vezes, macabra não é pra qualquer pessoa. Isso com reflexões sobre a sociedade que muitos intelectuais jamais conseguiriam expor para a população geral. Esse é o caso da personagem Salomé e seus telefonemas aos presidentes da República, incluindo ao último ditador general brasileiro João Baptista Figueiredo.
Em um enterro tão marcante quanto os de Tancredo Neves e Ayton Senna, os brasileiros dão adeus a um de seus maiores homens. Uma nação conhecida pela sua alegria contagiante ficou um pouco mais triste, mas o sorriso voltará aos nossos rostos, apesar da sensação estranha de falta.

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